Jornalismo ou moda?

Como vocês bem sabem, eu sou da filosofia que gosta de unir o útil ao agradável, portanto, para aqueles que ainda tem dúvida do que pretendem cursar na faculdade, fica a dica dessa entrevista incrível feita com 4 jornalistas de moda que eu simplesmente amo. Todas elas ainda estão no batente e conhecem muito bem a lógica mercadológica do nosso mundão de meu deus, e claro das moda desse meu Brasil. Então, pra não me alongar muito vou deixar vocês lerem tudo e se apaixonarem por essas mulheres assim como eu. Confira a entrevista completa abaixo:

— Muitas pessoas que querem se tornar um jornalista de moda se deparam com a dúvida: “Curso moda ou jornalismo?”.

Para tentar responder este questionamento conversamos com Erika Palomino, colunista e consultora de moda que atuou por quase duas décadas como editora de moda da Folha de S.Paulo e atualmente edita a revista Plastic Dreams, da Melissa; Lilian Pacce, editora e apresentadora do GNT Fashion; Maria Prata, diretora de redação da Harper’s Bazaar Brasil; e Vivian Whiteman atual editora de moda da Folha de S.Paulo.

Apesar de ter cursado apenas três meses da faculdade de jornalismo, Erika disse que aprendeu todo o mecanismo editorial na prática. “Era um outro momento, porém quando trabalhamos em um jornal não sobrevivemos com amadorismos. Tive a sorte de aprender tudo em uma tarde e foi também devido a minha curiosidade de conhecer todas as etapas do funcionamento de um jornal que permaneci na Folha por 17 anos”.

Ela também comentou a importância de começar pelo jornalismo “já que hoje os empregadores dão preferência a quem cursa ou cursou jornalismo por acreditar que terá menos problemas quanto à escrita, apuração e ética”. Mas atenta: “este pensamento funciona em um macro universo, claro. Pois sabemos que hoje a maioria dos cursos de jornalismo são fracos, vide os textos sofríveis e constrangedores que lemos”.

Além disso Erika acrescenta que a faculdade não é tudo, que a necessidade de complementar com pesquisas é fundamental. “Quem cursa jornalismo pode correr atrás da informação de moda, não apenas fuçando em sites. Mas com pesquisas apuradas e precisas, não só em frente a um computador, mas principalmente em livros”.

Sobre sentir falta de uma formação focada em moda, Erika diz que sim. “Senti uma falta quando a indústria têxtil começou a avançar com muito mais velocidade. E eu queria entender os novos tecidos, as misturas de materiais, etc”. Mas diz que supriu isso com cursos livres mais especializados o que segundo a colunista é necessário.

Vivian foi pelo caminho contrário, se formou em jornalismo, e depois de alguns semestres estudando moda desistiu, ao se deparar com matérias muito específicas. Assim como Erika, ela acredita que uma faculdade não te oferece tudo, afinal “todo profissional em algum momento se depara com algo que não sabe, independente da formação”. Para ela, nenhum editor será melhor ou pior por conta da formação, já que são coisas independentes, entretanto complementares, principalmente para os que querem trabalhar nessa editoria.

“Jornalismo é importante principalmente nos primeiros anos, em que te dá uma base para a escrita, te apresenta as diferentes formas de escrita, as características e os recursos que você pode utilizar nos diferentes meios”, argumentou Whiteman.


Maria Prata, que se formou em moda pela Santa Marcelina diz que se possível que se estude as duas coisas, mas que se tiver que optar, que seja pela moda. “No curso você aprenderá a técnica, a história, os termos, coisas que não se aprende em uma redação, enquanto o mecanismo do jornalismo você aprende rápido, o da moda demanda muito mais tempo”, disse. “Prefiro trabalhar com uma pessoa que não saiba escrever, mas que saiba de moda, do que um bom jornalista que não entende nada de moda”, finalizou categórica.

Lilian Pacce também acredita que se possível que se estude as duas coisas. “Eu me debati muito para escolher isso, apesar de na minha época ainda não existir cursos de moda no Brasil”. Mas aconselha que cada um veja seu ponto fraco. “Se você vê que tem mais dificuldade com comunicação, faça jornalismo, se acha que o que falta é a informação e os conceitos de moda, faça moda. O importante é tentar equilibrar as duas coisas”, pondera.

Por fim, uns conselhos fundamentais das editoras para se tornar um bom editor:
. Erika Palomino: “Pensar que os estilistas são antenas do universo, olhe para o mundo em um todo, não só para o mundinho da moda. Moda não é só roupa, é arte, política, economia, rua…”.

. Vivian Whiteman: “Ter claro que antes de trabalhar com moda, você trabalha com palavras e que elas são fundamentais para se relacionar com o público. Não se pode ter preguiça. Moda é um produto mas não é o mais importante, afinal ela não existiria senão existisse pessoas. Um jornalista de moda não será bom se olhar só para ela, tem que se olhar para o mundo e todos os fatores nele presente: guerras, conflitos, revoluções artísticas”.

. Maria Prata: “Tenha conhecimento da área que quer atuar, se é a moda, ter base no assunto é mais que fundamental”.

. Lilian Pacce: “Curiosidade é uma característica importante, assim como ecletismo, já que a moda transita muitas vezes por vários assuntos”.

E em coro, as editoras enfatizam, como jornalistas de outras editoriais: veracidade na apuração, éticaescrita são a base para os que querem se destacar no mercado. Mesmo que você vá escrever um blog.

Fonte: texto escrito por Vinicius Alencar e publicado no site Chic da queridíssimo Gloria Kalil

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